BOLETIM Nº17
Tributo ao Iguaçu nos passos da Agenda 21
Começa nesta edição o paralelo Tributo ao Iguaçu e Agenda 21... Clique aqui e veja mais...
União da Vitória e o sonho em realização
A equipe do Tributo ao Iguaçu esteve em União da Vitória nos dias 27 e 28 de abril dando seqüência as suas atividades. Na ocasião foi feita uma revisão de todas as...Clique aqui e veja mais...
Projeto Tributo ao Iguaçu leva energia aos guaranis
A Copel finalizou as obras de extensão da rede á aldeia guarani Karugua, no município de Piraquara...Clique aqui e veja mais...
Conversando sobre sustentabilidade
Diversidade tem algo a ver com sustentabilidade? Esse foi um dos pontos abordados no dia 1º de junho, num encontro entre diversas áreas da empresa para apronfudar o olhar...Clique aqui e veja mais...
PROGRAMA JOVENS EMBAIXADORES 2007
O Programa Jovens Embaixadores é uma iniciativa de responsabilidade social da Embaixada dos Estados Unidos para jovens...Clique aqui e veja mais...
O meio ambiente em questão
Este foi um dos assuntos do Fórum de Debates que aconteceu no dia 7 de junho em União da Vitória reunindo prefeitos e membros da comunidade. O Tributo ao Iguaçu estava lá representado pela Irene Weber... Clique aqui e saiba mais sobre o evento...

Mas o que é a Agenda 21?
A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. Constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada de orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social e econômica, perpassando em todas as suas ações propostas. Contendo 40 capítulos, a Agenda 21 Global foi construída de forma consensuada, com a contribuição de governos e instituições da sociedade civil de 179 países, em um processo que durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), no Rio de Janeiro, em 1992, também conhecida por Rio 92. Além da Agenda 21, resultaram desse mesmo processo quatro outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas. O programa de implementação da Agenda 21 e os compromissos para com a carta de princípios do Rio foram fortemente reafirmados durante a Cúpula de Joanesburgo, ou Rio + 10, em 2002. A proposta do Tributo ao Iguaçu complementa a abordagem conceitual da Agenda 21 pela mobilização das comunidades com ações efetivas. No próximo boletim estaremos mostrando mais detalhes sobre esse paralelo entre Agenda 21 e o Tributo ao Iguaçu. A proposta do Tributo ao Iguaçu complementa a abordagem conceitual da Agenda 21 pela mobilização das comunidades com ações efetivas. No próximo boletim estaremos mostrando mais detalhes sobre esse paralelo entre a Agenda 21 e o Tributo ao Iguaçu. Aguardem!

São Mateus do Sul é o próximo sonho a ser realizado
No mês de abril a equipe do Tributo, a convite de duas associações de bairro e uma de agricultores rurais, fez a primeira visita técnica a São Mateus do Sul e encontrou na cidade um desejo muito forte de melhoria da qualidade de vida e de recuperação e conservação do rio Iguaçu. Sentimento este logo percebido na apresentação do programa para a comunidade local no Salão da Vila Nepunoceno através de vídeos institucionais, da comunidade dos sonhos em Porto Vitória e Porto União da Vitória e exemplos de projetos que estão ocorrendo nestas duas cidades. Na ocasião, também foi realizado um circulo de estudo para conhecimento das expectativas da comunidade em relação ao Tributo. A comunidade de Vila Americana apresentou algumas iniciativas como o projeto segundo tempo (atividades no contra turno da escola regular) com aulas de balé, capoeira e esportes. Alguns desejos foram detectados como o de um apoio para cessar o processo de aterro da área de várzea e de um projeto para a sua transformação em um parque. A comunidade também necessita de um apoio da prefeitura e de empresas para a reconstrução de canchas de esportes. No final das atividades os moradores decidiram eleger um representante para servir de interlocutor com o programa Tributo ao Iguaçu e intermediar demais assuntos de interesse do grupo com autoridades e empresas.
Detalhes com Roberto: (41) 3331-4336.

União da Vitória e o sonho em realização
A equipe do Tributo ao Iguaçu esteve em União da Vitória nos dias 27 e 28 de abril dando seqüência as suas atividades. Na ocasião foi feita uma revisão de todas as pendências e encaminhamentos junto ao SENAI para atendimento das necessidades do Instituto Piamarta. Foi feito também contato com a coordenação do Paraná Digital, na Secretaria de Educação e conquistado apoio para a extensão da infra-estrutura de internet da Escola Estadual Giuseppe Buggatti para o laboratório de Informática do Instituto.
Também, o entre os dias 24 e 26 de maio, a equipe do Tributo esteve em União da Vitória participando de algumas atividades, como a reunião do Fórum de debates de União da Vitória, Oportunidades de negócio no dia 24 e atividades com potencial de desenvolvimento econômico e social, onde os presentes deram as suas opiniões:
Temos qualidade, experiência, pessoas capacitadas e interessadas em que a região se desenvolva. Estudantes devem ter participação ativa, se oferecendo como agentes PENUD, plano de ação de desenvolvimento, chamando à sociedade civil a responsabilidade.
Luiz Ernani da Silva
Jornal O Bocudo
O setor político não está dando conta da complexidade das questões que se apresentam. Com a sociedade mobilizada, não há poder político que seja contra.
Pref. Lauro Agostini
Bituruna
E no dia 25 de maio na reunião sobre o Programa Mata Ciliar, onde o Murilo Lacerda Barddal, da COPEL, apresentou o programa Mata Ciliar, relatando que o seu objetivo é a recuperação e conservação das áreas da COPEL na região, que são áreas de proteção do reservatório de Foz do Areia e a Rosana Aparecida Varassin Rezende, também da COPEL, apresentou as iniciativas de educação ambiental em parceria com as escolas da região. Entre elas, o plantio de árvores e palestras para os alunos. O objetivo desse encontro era procurar compatibilizar essa iniciativa da Copel com os anseios das comunidades, manifestados no âmbito do programa Tributo ao Iguaçu.
Reunião do conselho de desenvolvimento
No dia 7 de junho a representante do Tributo, Beatriz Woehl, participou da reunião do conselho de desenvolvimento e propôs que se faça o Zoneamento Ecológico Rural que se assemelha ao plano diretor na área urbana.
Projeto Tributo ao Iguaçu leva energia aos guaranis
A Copel finalizou as obras de extensão da rede a aldeia guarani Karugua, no município de Piraquara, região metropolitana de Curitiba. Desde o final de fevereiro, a comunidade conta com os benefícios de ter energia elétrica. Esta era uma reivindicação antiga dos indígenas. Em meados de 2004, um oficio escrito pelo cacique da aldeia, Marcolino Silva, pedia ás autoridades o suprimento de dez necessidades fundamentais, entre elas, a instalação da rede elétrica. O pedido chegou ao conhecimento do programa Tributo ao Iguaçu no final desse mesmo ano, referendado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), Comitê de Entidades no Combate á fome e pela Vida e Assessoria de Assuntos Indígenas da Secretaria de Estado de Assuntos Estratégicos. Após reunir todas estas entidades e também a Organização Tekoa Amigos da Aldeia (ONG que dá assistência aos guaranis de Piraquara) e a Sanepar, o programa Tributo ao Iguaçu encaminhou os pedidos a rede de parceiros para buscar o atendimento de cada um dos itens. Para o coordenador do Programa Tributo ao Iguaçu, Roberto Rathunde, a instalação da rede elétrica executada pela Copel, “contribuiu também para o resgate da dignidade dos povos nativos de nosso pais, tão marginalizados durante mais de 500 anos”.
Conversando sobre sustentabilidade

Diversidade tem algo a ver com sustentabilidade? Esse foi um dos pontos abordados no dia 1º de junho, num encontro entre diversas áreas da Copel para apronfudar o olhar e a discussão sobre o tema. A partir da apresentação do vídeo “Um olhar sobre a diversidade”, um círculo de estudos deu voz aos pensamentos e opiniões sobre sustentabilidade.Trata-se de um momento de reflexão e diálogo para a aprendizagem pessoal e organizacional. O 2º encontro aconteceu no dia 5 de junho em ouras áreas da mesma empresa. Se você tem interesse de conhecer esse vídeo, bem como o processo do “dialago para a sustentabilidade” entre em contato com a Bianca pelo telefone (41)3331-2920.
SE LIGA AI!!
PROGRAMA JOVENS EMBAIXADORES 2007
O Programa Jovens Embaixadores é uma iniciativa de responsabilidade social da Embaixada dos Estados Unidos para jovens da rede pública estadual de ensino, que tenham perfil de liderança e consciência de cidadania. O programa nos Estados Unidos terá a duração de 2 semanas e acontecerá em janeiro de 2007. Por meio deste intercâmbio, os “Jovens Embaixadores” vão adquirir conhecimentos para continuar o trabalho que desenvolvem em suas comunidades, darão continuidade ao seu crescimento pessoal, acadêmico e profissional promovendo sua auto-estima e ampliando seus horizontes através de troca de informações sobre história, cultura e sociedade entre os dois países.
Objetivo
O programa visa dar aos jovens a chance de viajar para os Estados Unidos da América (EUA) , aprimorar a língua inglesa e tornarem-se embaixadores com a intenção de fortalecer os vínculos de amizade, respeito e colaboração entre os Estados Unidos e o nosso país.
Para mais informações: href="http://www.etfce.br/Extensao/Programa_jovens_embaixadores/ Cronograma_Jovens_Embaixdores_2007.pdf"
Fórum: O Mea Culpa pela Falta de Rumo ou, Meu Deus! Para Onde Vamos?
O Fórum de Debates reuniu na CDL, dia 7, representantes da sociedade organizada da região em torno das questões do desenvolvimento regional. É o segundo encontro do Fórum na sua terceira edição, amparado no sucesso de ações que estimularam o desenvolvimento dos centros de referência médica, universitária e de comércio; da busca de proteção contra cheias, do desenho que se fez para a agricultura e turismo.
Revigorado pelo interesse de um número maior de entidades e pessoas de olho na pura pobreza da nossa economia o Fórum fez exalar o mesmo quadro aflitivo da sociedade dos anos 90. Joana e eu pegamos as revistas “Veja” da época e não deu outra: em 1997 a economia asiática tossiu, em 98 a Rússia quebrou, o Brasil elevou juros a 50%, todos temiam uma recessão global. Entre drogas, o “crack” ganhava espaço, Clinton não conseguia se livrar de Mônica, no Congresso Nacional a mania era bandido ser deputado em busca de imunidade.
Os problemas econômicos, sociais e morais continuam os mesmos. Muda a forma como se apresentam. E a intensidade. Tanto que “assustou” o grande número de participantes no Fórum e os apelos para que a sociedade organizada se associasse ao poder público em busca de “novos rumos”. Que a cidade pólo resgatasse a liderança e a referência em ações regionais.Tratou-se da falta de comprometimento (boa esta palavra), falta de entusiasmo em torno de objetivos comuns. E no caldeirão efervescente de “travas” foi possível perceber o desarranjo da sociedade para resolver as crescentes limitações de uso de nossos recursos naturais renováveis.
O que restou de florestas na região sul do país, motor da economia regional, despertou mesmo o interesse da comunidade planetária. E ela, a comunidade planetária, resolveu garantir para todo mundo às nossas custas, sem custos, ar e água de boa qualidade encangalhada nas árvores e riachos, florestas e rios de nossas pequenas e grandes propriedades.
Na verdade, a manutenção da vida amparada na relação do homem com o ambiente, saiu do fundo da caixinha de problemas e virou moda. Proteger, preservar é prioridade, é de bom som, positivo, envolvente. A mim, a você, a políticos, empresas, ambientalistas, promotores, juizes, funcionários públicos, professores, alunos, filhos. Está um “mundarel” de gente contribuindo com soluções e criando problemas. Estão todos a tomar cuidado da região, dar palpites e legislar para poder usufruir um ambiente ecologicamente equilibrado.
Na Constituição Brasileira até o direito de propriedade se curvou ao direito sobre meio ambiente. Todos têm direitos sobre o ambiente; ele é de uso comum do povo.
Antigamente, no seio da SEC-CORPRERI, quando estávamos à beira do colapso por uma ou outra batalha perdida com a Copel ou mesmo as cidades, descobrimos que as enchentes não eram, na realidade, o nosso maior problema. O maior problema era a pobreza, a inexistência e a incapacidade de fazer um plano de desenvolvimento. Brincando, achávamos que a região estava virando uma aldeia indígena e pior, com risco de ser anexada ao Paraguai. Bem, é melhor que não.
Podermos juntos, através do Fórum, atualizar o quadro de oportunidades capaz de motivar ações voltadas ao desenvolvimento regional vai ensejar uma nova e grata visão do nosso futuro.
A SITUAÇÃO
O pano de fundo dos problemas da região parece ser mesmo as limitações de uso do solo e da floresta pela indústria e proprietários rurais que ainda dependem dela para sobreviver.
Um olho no passado trouxe a lembrança da imigração, das pequenas propriedades e da agricultura de subsistência. O outro olho fez ver as grandes propriedades, coisa de 16, de 22 mil alqueires cobertos de puro mato no mesmo terreno dobrado.
Resistindo mais ou menos bem ao machado e ao cavalo, a floresta levou um susto com a motosserra e se segurou como pôde nos Planos de Manejo. Enquanto os grandes elegiam deputados e resolviam seus problemas ambientais por telefone, a grande massa de pequenos sobrevivia trepada no morro guardando o que podia como reserva para fazer a casa ou pagar o médico.
Enquanto isto, na terra plana, em outras regiões, onde entrava trator e colheitadeira, governos, bancos e multinacionais concentraram atenção, política de desenvolvimento e investimentos voltados à produção de grãos. Nestas terras onde o agricultor e o arado fizeram/fazem cavalo de pau encima de nascentes e riachos, as últimas árvores testemunha dão sinal claro da morte anunciada do ambiente.
Não acompanhamos o novo ritmo de desenvolvimento, mesmo porque a indústria madeireira, tal qual a conhecemos, não é a excelência na distribuição de riquezas. Ficamos para trás por falta de alternativas para uso do solo, sem política regional de desenvolvimento, sem produção capaz de garantir volumes e facilitar a comercialização.
Tampouco buscamos alternativas para o crescimento até que o mundo viu nas imagens de satélite um “verdão” no mapa da região e resolveu cuidar como se fosse dele. Vieram as novas leis, as restrições, o poder de polícia, o humor do governante sobre a beleza cênica da área montanhosa coberta de um verde exuberante e rico em água.
Já que o patrimônio está “embrulhado”, porém, disponível, vale a pena considerar a busca de alternativas de solução e novos negócios dentro de um cenário novo e desafiador: muitos interesses, necessidade de propostas visando o bem comum, a sustentabilidade, a inclusão social.
MEIO AMBIENTE
Na primeira reunião do Fórum, havia sido pensado abrir espaço para novas sugestões de alternativas ao desenvolvimento, mas mergulhamos nas questões ambientais.
A Chefe do Escritório Regional do IAP, Beatriz B. Woehl fez uma respeitável apresentação da situação, das regras e do cenário de curto prazo com que o órgão público está atuando e disse esperar a contribuição do Fórum (sociedade organizada) no sentido de buscar o equilíbrio entre uso e proteção dos recursos naturais.
Lembrou que na base das limitações de uso está o Decreto 750 e a necessidade de unificação de conceitos de estágios das florestas, ressaltando que na legislação que está sendo proposta o conceito de floresta degradada (nosso caso, o de floresta Ombrófila Mista – ou, de Araucária) não está sendo contemplado. “Vocês precisam mandar propostas para isto ser considerado”, disse Beatriz.
Informou que o Ibama questionou as autorizações da Câmara Técnica que atendia a pedidos de desmate até 15 hectares. Após a conclusão de sindicância ainda em andamento deverá ser criada uma outra nova Câmara, agora mista, a fim de dar a este tipo de ação e proceder a licenciamentos. Novo também é o ITCG, órgão encarregado de cuidar do Zoneamento Ecológico e Econômico que deve atingir também a Área de Proteção Ambiental da Serra da Esperança. Que ele, o zoneamento, será regional “o que é importante”, e que as políticas relacionadas ao meio ambiente podem mesmo passar para a Secretaria de Estado do Agricultura e do Abastecimento - SEAB, completou a Chefe do Escritório Regional.
Lembro com bom sentimento a sabedoria e o desabafo em algumas palavras do prefeito Lauro Agustini quando disse “não estamos sendo prudentes na forma com que tratamos o meio ambiente” e expressou com humildade e modo bom, a expectativa de que União da Vitória, na condição de cidade pólo, pudesse liderar as iniciativas voltadas a conduzir e motivar a região em busca de novos rumos.
O prefeito Hussein Bakri lembrou da recente vitória na revogação da portaria que aposentava a motosserra e se mostrou pronto para qualquer ação: “me digam o que fazer”, disse. “Os empresários dizem que não dá mais para trabalhar. O IAP diz que está cumprindo a Lei. Como sair disto?”, perguntou. O vereador Gilberto Brittes colocou as Câmaras (no âmbito da ACAMSUL) a disposição do Fórum visando contribuir com a votação de Leis no âmbito dos municípios.
Marco Ziliotto, da Ecoplan, deu nomes e mostrou conflitos de interesses entre as Ongs, o próprio Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e o Iap. Solicitou um Termo de Referência aos órgãos públicos para se tratar da questão de Manejo Florestal Sustentável na região; avisou que os Planos de Manejo estão sendo levantados pelo Ibama e que o corte de bracatinga está de volta na pauta do CONAMA.
Neomar Wolff e Alvadi Coelho resgataram a idéia de um Instituto Florestal para pensar, atender e fomentar as questões ambientais/florestais da região.
As várias manifestações da platéia que, sem trégua noite adentro, fizeram quase todos esquecer do horário estipulado para o término da reunião expondo o quadro de uma sociedade sem rumo em busca de mudanças. Falaram o sempre pronto Toninho da Ótima, Ari Passos, Alisson (UnC), Antônio Nhoatto, Marivanda lembrando o Turismo como alternativa, Alexandre Puzzina (Alexandrinho) surpreendendo a todos com a proposta de se considerar a piscicultura como uma oportunidade de negócio: a região tem 300 produtores e 70 alqueires de água capazes de – juntos – produzir 4000 toneladas de peixes e gerar 3000 empregos diretos e indiretos.Entre o desejo quase incontido de todos de avançar rápido em tudo percebi que era preciso lembrar dos objetivos da reunião. Estava tendo o cuidado de buscar a aprovação dos participantes nas expressões de cada um no plenário quando o Professor Ingo, da Uniguaçu, resgatou o que havia sido combinado na reunião anterior: ampliar o tempo para a necessidade de se organizar o Fórum (a questão ambiental monopolizara a reunião).
Lembrei com prudência que a gente “se perdeu” na primeira edição do Fórum por inadequada metodologia. O então presidente da CDL, Saulo Millezi, o então “Nhoatinho”, meu irmão Rui e eu, éramos tocados pelo desafio, puro entusiasmo e sentimento de fraternidade amparados por parceiros de inestimável responsabilidade social. Depois, quando percebemos que precisávamos de ajuda – acho que foi o SEBRAE – trouxe um modelo organizacional, departamentalizou assuntos, criou comissões, etc. Perdemos o fio da meada. Não foi um crime, em função de que os objetivos daquela edição do Fórum e o esforço da comunidade foram recompensados com as realizações que são de conhecimento de todos.
Foi quando o Dr. José Luiz Dissenha, atento, resgatando a prática de presidência rotativa do Fórum convidou o Professor Ingo para conduzir o próximo encontro. O Presidente da CDL, Sílvio Iwanko, de pronto colocou a estrutura da CDL a disposição do professor. E saímos, pouco depois das 22 horas, achando que as coisas estão indo bem, como era no “tempo antigo”.
QUEBRA CABEÇA
Domingo, 11, a Rede Globo apresentou no Fantástico mais um daqueles shows de irracionalidade, violência e incompetência. Gaúchos e paranaenses estão indo ao Pará, se apossando de terras da União, botando fogo no mato, plantando soja para tratar o gado confinado na comunidade européia que sai através de um porto construído por empresa americana (Cargil).
Quando aparece o Greenpeace querendo chamar a atenção sobre o avanço da derrubada da mata (1 milhão de campos de futebol em menos de dois anos), aparece também o policial federal (poderia estar cuidando deste assunto?) enfiando a arma na cara da turma; o Diretor do Ibama, barbudo, inoperante, pobre coitado, com 88 funcionários disponíveis e talvez 20 no campo (foi o repórter que deu o número e ele confirmou); o barco do Greenpeace furado de bala, 4 feridos, 14 presos e, claro, nenhum fazendeiro na fotografia, na delegacia.
Há uns 20 dias o Superintendente em exercício do Ibama no Paraná, Hélio Sydol, veio à União e mostrou à Câmara Vereadores um filme que o órgão fez sobrevoando a nossa região. Depois, quando eu mesmo vi aquelas imagens, chorei. Tem até olho d’água soluçando cinza. É de um desconsolo exaustivo. É só pau no chão, galhos cruzados, carvão e terra nua.
Estes dois casos chamaram a atenção sobre outro: o planeta não vai agüentar tudo isto. É insano pensar que a terra exposta, ardendo ao sol, perdendo vitalidade, possa continuar produzindo comida e garantindo o desenvolvimento. A gente tem mesmo que rever algumas coisas. Ponto.
No Fórum, ouvimos que no âmbito do governo, Secretarias, órgãos, novos órgãos, Câmaras, Sub Câmaras, Câmaras Técnicas, Técnicas Mistas, estão tentando dar solução para os problemas e me rendi para duas coisas: nós temos mesmo que pensar o futuro, imaginar o futuro, tentar construí-lo e, pacientemente, contribuir para que desta vez a política de desenvolvimento regional conte com a participação da sociedade. É menos chance de erro.
O JOGO DE XADREZ
Para quem lembra do jogo, sabe que cada peça se mexe só de um jeito. Dependendo do movimento, você abre um buraco na vida do oponente tamanha interdependência de uma só ação. Então como o mais abrangente é o meio ambiente (dizem que a palavra certa é apenas “ambiente” e o significado abrange as relações e atividades do homem na sua relação com a Terra), seria extraordinário que os participantes do Fórum pudessem investigar, imaginar e definir como seria viver no futuro dentro de um cenário de 25 anos discutindo tudo o que falamos nas duas reuniões:
1. PLANO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO REGIONAL
1.1. Contatos com IPARDES, SEDU, SEAB. Verificar dados e participar dos esforços que estão sendo realizados no âmbito do governo.
1.2. Diagnóstico: verificar se podem vir, contribuir e apresentar o que se está criando a nível regional.
1.3. Conhecer o Plano de Desenvolvimento da UnC e/ou outros voltados ao planalto norte de Santa Catarina.
2. MEIO AMBIENTE
2.1. “União de Todos” e “Novos Rumos”.
2.2. Legislação Ambiental: Decreto 750, Lei Estadual, Conama & Portarias, análise, prevalência e conflitos. Interação com órgãos ambientais, políticos e Ongs; sugestões, alterações.
2.3. Legislação: o conceito de floresta degradada não está sendo contemplado no atual projeto de Lei.
2.4. Licença para Abatedouro de bovinos em General Carneiro.
2.5. Instituto Regional do Meio Ambiente.
2.6. Secretaria Municipal Meio Ambiente, Conselho Deliberativo e Fundo: análise de viabilidade.
2.7. Zoneamento Ecológico e Econômico: apresentar ao Fórum o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo prof. Zanquetta. Interagir com o zoneamento que está sendo gestado no seio do Governo. Zoneamento da APA Serra Esperança.
2.8. Questão Institucional: as políticas de desenvolvimento da silvicultura sob tutela da SEAB. IAP só aprova, fiscaliza.
2.9. Planos de Manejo: inclusão do Ministério Público, Ibama, Iap, Fórum, representante silvicultores para análise situação, proposta de uso, medidas compensatórias.
2.10. Corredores da Biodiversidade.
2.11. Plano de Desenvolvimento Regional pela SEDU. Interagir.
2.12. Áreas de Reserva Legal: trocas, aluguel.
2.13. Modelo de gestão via bacias hidrográficas.
3. ECONOMIA DE BASE FLORESTAL: definição de objetivo (silvicultura integrada? Estratégia regional de longo prazo) e espécies: pinus, eucalipto, bracatinga, uva japão, álamo, cedro;
4. TURISMO: infraestrutura, city tour (Morros dos Cristos, arquitetura, pontes, estação, vau), Maria Fumaça 310, laboratório astronômico, barco C. Iguassú, turismo rural; pousadas, hotéis, artesanato, turismo de eventos, esportivos; Parque Histórico Iguassú, cachoeiras, pesca, necessidade de se consolidar roteiros, fomentar a formação de profissionais na área de turismo; festa do Steinhaeger, turismo culinário: Bratwurst, xixo, pinhão, peixe.
5. AGRICULTURA E PECUÁRIA: fruticultura, produção de lenha; erva mate (sub produtos), produção orgânica, mel, eucalipto; grãos; centro de referência de carnes maturadas, carnes “finas&exóticas”: avestruz, ovelha, javali, frango verde; embutidos; leite e derivados: queijo, requeijão, nata; conservas; aluguel das áreas verdes para seqüestro carbono e substituição reserva legal.
6. ENCHENTES: Plano Diretor e Uso das áreas urbanas de segurança do reservatório.
7. FACE & UNIVERSIDADE.
8. CENTRO COMERCIAL.
9. PISCICULTURA.
10. QUALIDADE DA ÁGUA: abastecimento e saneamento.
11. SEGURANÇA.
12. CENTRO MÉDICO: Cardiologia, transplantes, DNA.
13. EDUCAÇÃO/CENTRO UNIVERSITÁRIO.
14. REPRESENTAÇÃO POLÍTICA: acompanhamento, contribuições.
Se você também faz uma imagem do futuro, é possível sonhar e usufruir um ambiente equilibrado, com desenvolvimento sustentável, qualidade de vida e alguma segurança para brasileiros no concerto das nações e povos da Terra.
Texto publicado no Jornal O Comércio em 21 de Junho de 2006 por Dago Woehl.
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